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Estudos comprovam eficácia do tratamento da DPOC em pacientes moderados e mais jovens
Novas análises do estudo UPLIFT – uma apresentada no congresso da European Respiratory Society (ERS) 2009, na Áustria, e outra na revista Lancet – mostram que é possível retardar a progressão da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
Novos dados, um deles apresentado no congresso da European Respiratory Society, o ERS, e outro publicado na revista Lancet, comprovam a importância do tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) nos pacientes com menos de 50 anos e também na fase inicial da doença. As análises foram feitas com a administração de um medicamento de longa ação anticolinérgica, que promove a dilatação dos brônquios, em estudos randomizados (aleatórios) e controlados por placebo. Foi verificada melhora significativa da função pulmonar, comprovando que, quanto mais cedo se iniciarem os cuidados, melhor será o combate na progressão da doença.
A nova análise do estudo UPLIFT, apresentada no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia (ERS) deste ano, envolveu um grupo de 356 pacientes, de até 50 anos, que apresentaram uma redução de 34% na taxa de declínio da função pulmonar, ao longo de quatro anos, 27% a menos no risco de exacerbações e melhora na qualidade de vida quando tratados com um broncodilatador. O Dr. Roland Buhl, chefe do Departamento Pulmonar da Universidade de Mainz, na Alemanha, acredita que esses novos dados possam reforçar a necessidade do diagnóstico e tratamento precoces da DPOC. “Os médicos devem estar cientes de que, se prescreverem um medicamento de ação anticolinérgica aos doentes com menos de 50 anos, irão preservar suas funções pulmonares e, assim, alterar o curso da doença”, explica.
Dados que acabam de ser publicados na revista Lancet também confirmam a necessidade de se tratar a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica desde o início. Na análise em questão, esteve envolvido um grupo de 2.739 pacientes – o maior nessa fase da doença – que demonstraram, também por meio da medição da taxa de declínio da função pulmonar, que esse tipo de tratamento medicamentoso pode retardar a progressão da doença, reduzindo em 20% os episódios de exacerbação em comparação com os outros pacientes.
Segundo o professor Marc Drecramer, coordenador do UPLIFT, professor de Medicina e chefe da Divisão Respiratória na Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, esses resultados são muito importantes para a prática clínica, pois se trata do primeiro estudo de grande porte, em longo prazo, que mostra que a administração de uma substância desse tipo pode trazer grandes benefícios aos pacientes na fase moderada. Até então, ele estava restrito aos casos mais graves. “Esta análise comprovou que, como há uma diminuição significativa da função pulmonar logo no início da doença e as exacerbações aceleram sua progressão, devemos tratar a DPOC o mais cedo possível com um medicamento desse tipo, para que as crises diminuam e, consequentemente, haja melhora nas funções pulmonares.
As duas novas análises referentes ao tratamento da DPOC fazem parte do estudo UPLIFT, iniciado em 2002, conduzido por meio da administração do brometo de tiotrópio, único medicamento indicado exclusivamente para os pacientes acometidos pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. "O número crescente de evidências em torno desse tipo de tratamento destaca sua eficácia como terapia de primeira linha na manutenção de pacientes jovens e naqueles em estágios iniciais da DPOC. Com um diagnóstico precoce e tratamento correto, conseguiremos ter um impacto positivo na evolução dos pacientes", finaliza o Dr. Buhl.
A DPOC atinge aproximadamente 210 milhões de pessoas em todo o mundo e é responsável por 37 mil óbitos por ano só no Brasil – o equivalente a quatro mortes por hora. Quando progride, a função pulmonar tem queda, o paciente não consegue mais fazer atividades físicas e, muitas vezes, nem as tarefas do dia a dia. Dessa forma, o doente fica com medo e se sente ansioso, frustrado, deprimido e isolado. Por esses motivos, é importante garantir diagnóstico e tratamento o mais cedo possível, para que a doença não avance. A cessação do tabagismo também é peça fundamental no início do tratamento.
Sobre DPOC
A DPOC atinge aproximadamente 210 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo 7 milhões de brasileiros, e é responsável por 37 mil óbitos por ano só no Brasil – o equivalente a quatro mortes por hora.
Os fumantes são os mais atingidos: 90% dos casos. Nos casos mais graves, o doente tem exacerbações – crises comuns da doença –, as quais podem evoluir e exigir internações frequentes causadas pela piora do quadro. Por essa razão, a DPOC tem forte impacto econômico para o Governo, uma vez que a necessidade de internação é constante. Em 2008, foram realizadas 128.480 internações por DPOC, a um custo aproximado de R$ 76 milhões.
A doença também leva à falta de resistência física, ausência no trabalho, morte precoce e sobrecarga emocional e financeira para a família, paciente ou responsável. Em casos mais graves, o paciente necessita receber oxigênio por meio de equipamentos.
* FONTE: DATASUS
Sobre UPLIFT
UPLIFT (Understanding Potential Long-term Impacts on Function with Tiotropium) é um estudo com quatro anos de duração, iniciado em 2002, multicêntrico (470 centros), multinacional (37 países), randomizado, duplo-cego, controlado por placebo (permitindo o uso de outros medicamentos respiratórios concomitantes, exceto anticolinérgicos inalatórios). O estudo contou com 5.993 homens e mulheres portadores de DPOC. Os pacientes foram randomizados para receber 18 g (microgramas) de brometo de tiotrópio ou placebo uma vez ao dia. A nova análise engloba o acompanhamento de um grupo de 2.739 pacientes com perfil moderado da doença.
Sobre o brometo de tiotrópio
O brometo de tiotrópio é um anticolinérgico inalatório e a única medicação desenvolvida especificamente para o tratamento da DPOC que mantém a broncodilatação por 24 horas. O medicamento reduz o tônus da musculatura lisa e dilata as vias aéreas, resultando em melhora sustentada da função pulmonar. O objetivo é manter o paciente ativo por mais tempo, melhorar a tolerância a exercícios físicos, diminuir a frequência das exacerbações (crises) e contribuir para o aumento da qualidade de vida. O medicamento está disponível no Brasil desde 2003 e faz parte do protocolo de tratamento da rede pública de saúde de alguns estados, como São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
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