Boehringer Ingelheim

Mulheres com Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) ganham tratamento inovador

Estudos de fase III com flibanserin trazem dados animadores sobre segurança e eficácia do primeiro medicamento para tratar a saúde sexual da mulher

Dados de estudos de fase III apresentados na semana passada, no 12º Congresso da Sociedade Européia de Medicina Sexual, em Lyon, na França, demonstraram que flibanserin aumenta de forma significativa o número de eventos sexuais satisfatórios, bem como o desejo sexual de mulheres na pré-menopausa, ao mesmo tempo em que diminui o sofrimento associado ao Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo (TDSH). O novo tratamento não é hormonal e age no sistema nervoso central.

Os resultados das pesquisas com flibanserin, realizadas com mais de 5000 mulheres, apresentaram a análise de três estudos centrais norte-americanos, de fase III, intitulados “Daisy”, “Violet” e “Dahlia”, e os dados centrais de fase III na Europa, com estudo chamado “Orchid”. Além disso, foram apresentados os resultados de uma análise dos dados combinados dos estudos fase III da América do Norte (“Daisy” e “Violet”) e uma análise dos dados combinados da América do Norte e Europa (“Daisy”, “Violet” e “Orchid”), avaliando a segurança e eficácia da substância flibanserina, em mulheres com TDSH.

O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo é uma condição clínica, que se caracteriza pela diminuição do desejo sexual, associada a um acentuado sofrimento com dificuldades de relacionamento. Mulheres com tal transtorno frequentemente percebem perda de intimidade e proximidade que tinham com o parceiro, impactando de forma negativa na vida conjugal. Dessa forma, o médico terá de avaliar a condição para o diagnóstico. “Para administração de um tratamento como este que está sendo estudado, será necessário diagnóstico preciso por parte de profissional médico, que confirmará o TDSH e excluirá qualquer outro problema prévio, como baixa auto-estima, conflitos no relacionamento com o parceiro, uso de medicamentos ou presença de doenças que afetem o desejo sexual, dentre outras situações que podem inibir o interesse pelo sexo secundariamente”, explica dra. Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo).

Há uma série de potenciais causas e fatores que contribuem para o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, o TDSH. A pesquisa médica atual sugere que os neurotransmissores cerebrais, particularmente a dopamina, noradrenalina e serotonina, desempenhem um papel-chave na modulação do desejo sexual. A disfunção sexual pode ocorrer quando há um desequilíbrio desses neurotransmissores.

“Apesar de os estudos demonstrarem que o TDSH é uma forma comum de disfunção sexual feminina, atualmente não existe aprovação de qualquer tratamento a ser prescrito para mulheres com esta condição”, afirma a professora Rossella Nappi, diretora da Unidade de Endocrinologia Ginecológica e Menopausa da Fundação Maugeri, da Universidade de Pavia, na Itália, e investigadora primária do estudo central Europeu. “Flibanserin é um novo composto não-hormonal investigado como tratamento de mulheres na pré-menopausa com TDSH. Com base nos resultados dos estudos clínicos apresentados no congresso da ESSM (European Society for Sexual Medicine), o produto tem potencial para ajudar muitas mulheres que sofrem por falta de desejo sexual.”, finaliza.

Dados combinados dos estudos clínicos norte-americanos fase III (DAISY® e VIOLET®)6

A análise combinada pré-especificada de 1.378 mulheres em pré-menopausa com TDSH mostra um aumento estatisticamente significante na frequência de ESS (Eventos Sexuais Satisfatórios), por mês, em mulheres em uso de flibanserin 100 mg (de 2,8 na avaliação basal para 4,5), em comparação ao placebo (2,7 na avaliação basal aumentando para 3,7), durante o período de 24 semanas do estudo. Flibanserin também demonstrou melhoras estatisticamente significantes no desejo sexual em comparação ao placebo, conforme medido por um diário eletrônico (o “e-Diary For HSDD Trials©”). Este achado foi ainda apoiado pelos dados no domínio de desejo no Índice de Função Sexual Feminina (FSFI), como uma medida secundária independente.

Outros parâmetros secundários principais mostraram que flibanserin melhorou de forma significativa a funcionalidade sexual (conforme medido pela pontuação total da FSFI), sofrimento relacionado com a disfunção sexual (conforme medido pela pontuação na Escala de Desconforto Sexual Feminino) e o sofrimento relacionado com o baixo desejo sexual, em comparação ao placebo.

Resultados do estudo fase III europeu (ORCHID®)7

A análise de 634 mulheres em pré-menopausa com TDSH mostrou que mulheres em uso de flibanserin 100 mg tiveram melhoras estatisticamente significantes no nível de desejo sexual, conforme medido pelo e-Diary. Estes achados foram apoiados por uma tendência favorável a um aumento no domínio desejo sexual do FSFI. Além disso, ocorreu uma melhora estatisticamente significante no nível de sofrimento associado com a disfunção sexual (conforme medido pela pontuação total do FSDS-R) que é o segundo parâmetro principal para o diagnóstico de TDSH. Um aumento numérico no número de ESS em comparação ao placebo dá suporte à eficácia de flibanserin em mulheres em pré-menopausa que sofrem de TDSH.

Análise combinada dos resultados dos estudos fase III norte-americanos e europeus (DAISY®, VIOLET® e ORCHID®)1

Uma análise combinada dos dados centrais que inclui o estudo europeu (ORCHID®) e os estudos fase III americanos (DAISY® e VIOLET®) reforça a eficácia de 100 mg de flibanserin no tratamento de mulheres na pré-menopausa com TDSH. Os resultados mostram melhora estatisticamente significantes em comparação ao placebo no número de ESS, assim como um aumento estatisticamente significante no nível de desejo sexual, registrado por meio do e-Diary e da pontuação no domínio desejo do FSFI. O sofrimento associado com a disfunção sexual e especificamente o baixo desejo sexual foi significantemente reduzido com flibanserin 100 mg.

O programa de estudos Bouquet®

O programa de estudos Bouquet® é um termo abrangente para o programa de estudos fase III de flibanserin, realizado pela Boehringer Ingelheim. Foram atualmente concluídos cinco estudos na América do Norte e Europa que envolveram mais de 5.000 mulheres em pré-menopausa com Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) generalizado e adquirido. O objetivo geral do programa é avaliar a segurança e eficácia de flibanserin, um produto não-hormonal, em investigação que está sendo estudado para um potencial tratamento desta condição.

O presente programa de estudos consiste em sete estudos:

• O estudo ROSE foi um estudo randomizado de retirada de flibanserin em mulheres em pré-menopausa com TDSH;
• Os estudos DAHLIA®, VIOLET®, DAISY® e ORCHID® foram estudos randomizados e controlados com placebo, planejados para avaliar a segurança e eficácia de tratamento por 24 semanas com flibanserin, em mulheres em pré-menopausa com TDSH. Os estudos DAHLIA®, VIOLET® e DAISY® foram realizados na América do Norte, e o estudo ORCHID®, na Europa.
• Os estudos SUNFLOWER® e MAGNOLIA® são estudos abertos de extensão que estão em andamento, com flibanserin, na América do Norte e Europa.

Em todos estudos do programa de estudos Bouquet® até aqui concluídos, flibanserin demonstrou ser bem tolerado em mulheres em pré-menopausa com TDSH.

Sobre Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH)
O TDSH é uma forma de disfunção sexual feminina (DSF). Conforme definido pelo “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders” (Manual de Diagnóstico e Estatística em Transtornos Mentais), TDSH é a falta persistente (ou ausência) de fantasias sexuais ou desejo por qualquer forma de atividade sexual marcada por sofrimento ou dificuldade de relacionamento, que não pode ser melhor atribuída a uma outra desordem (exceto outra disfunção sexual), efeitos psicológicos diretos de uma substância (inclusive medicações) ou uma condição clínica geral.

O TDSH generalizado adquirido não é limitado a determinados tipos de estímulos, situações ou parceiros, e só se desenvolve após um período de funcionamento normal.2 Baixo desejo sexual com sofrimento associado é a queixa sexual feminina mais comumente relatada. Em estudos de prevalência10 cerca de 1 em 10 mulheres relataram baixo desejo sexual com sofrimento associado, que pode ser TDSH. Os transtornos do desejo sexual são em geral subdiagnosticados e não existe atualmente um tratamento farmacológico disponível para mulheres em pré-menopausa com TDSH. O transtorno tem sido reconhecido como uma condição clínica por mais de 25 anos.

Sobre o flibanserin

A Boehringer Ingelheim está investigando o flibanserin como o primeiro composto de ação no SNC (Sistema Nervoso Central) para restaurar o desejo sexual que foi perdido em mulheres na pré-menopausa, com a condição clínica generalizada e adquirida de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH).

Com base nos estudos pré-clínicos, pode-se dizer que flibanserin tem dois alvos farmacológicos principais no cérebro, os receptores 5-HT1A (agonismo) e os receptores 5-HT2A (antagonismo). O flibanserin age sobre estes receptores preferentemente em áreas seletivas do cérebro. Ele afeta os neurotransmissores, dopamina, noradrenalina e serotonina, que têm papel fundamental no ciclo de resposta sexual. Acredita-se que, modulando estes sistemas de neurotransmissores em áreas seletivas do cérebro, flibanserin poderia ajudar a restaurar o equilíbrio entre os fatores inibitórios e excitatórios, o que poderia levar a uma resposta sexual mais sadia.

Sobre a Boehringer Ingelheim

A corporação Boehringer Ingelheim é uma das 20 principais companhias farmacêuticas do mundo. Com matriz em Ingelheim, Alemanha, opera globalmente com 138 afiliadas em 47 países e 41.300 funcionários. Desde sua fundação em 1885, a empresa familiar é comprometida com a pesquisa, o desenvolvimento e a comercialização de produtos de alto valor terapêutico para a medicina humana e a animal.

Em 2008, a Boehringer Ingelheim registrou vendas líquidas de € 11,6 bilhões, dos quais investiu um quinto em seu maior segmento de negócios, medicamentos sob prescrição médica, em Pesquisa & Desenvolvimento.

1. Sexual and gender identity disorders. In: American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 4th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2000:493-538

2. Dennerstein L, Koochaki P, Barton I, et al. Hypoactive Sexual Desire Disorder in menopausal women: a survey of Western European women. J Sex Med. 2006;3:212-222

3. Dennerstein L, Hayes R, Sand M, et al. Attitudes toward and frequency of partner interactions among women reporting decreased sexual desire. J Sex Med. 2009;6:1668-1673

4. Basson R. Women’s sexual dysfunction revised and expanded definitions. CMAJ.
2005;172:1327-1333

5. Jolly E, Clayton AH, Thorp J, et al. Efficacy of flibanserin 100mg qhs as a potential treatment for Hypoactive Sexual Desire Disorder in North American pre-menopausal women. Abstract accepted to the European Society of Sexual Medicine Congress, November 2009.

6. Nappi R, Dean J, van Lunsen H, et al. Efficacy of flibanserin as a potential treatment for Hypoactive Sexual Desire Disorder in European pre-menopausal women: Results from the ORCHID trial. Abstract accepted to the European Society of Sexual Medicine Congress, November 2009.

7. Jolly E, Clayton AH, Thorp J, et al. Safety and tolerability of flibanserin in pre-menopausal women with Hypoactive Sexual Desire Disorder. Abstract accepted to the European Society of Sexual Medicine Congress, November 2009.

8. Food and Drug Administration. Guidance for Industry Female Sexual Dysfunction: Clinical Development of Drug Products for Treatment. 2000

9. Shifren JL, Monz, B, Russo P, et al. Sexual Problems and Distress in United States Women: Prevalence and Correlates. Obstet Gynecol 2008;112(5): 968-969




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